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Cresça como os galhos.

Foto do escritor: Letícia Nielsen
Letícia Nielsen
7 de jul.
3 min de leitura

Letícia Nielsen Chaves, 07 de Julho de 2026.



Esses dias fiquei curiosa pra saber como os galhos das árvores “decidem” pra que lado crescer. Os galhos têm galhos, que têm galhos, que têm galhos, e, no fim, folhas. Pesquisei e descobri que uma árvore é como um monte de canudinhos vivos cheios de pequenos "trabalhadores". Eles não conversam entre si, mas todos seguem algumas regrinhas. Eles procuram a luz e a pontinha do galho consegue perceber de que lado tem mais claridade. Então ela cresce um pouquinho mais pra aquele lado, como se estivesse esticando o pescoço para enxergar o Sol. Eles tentam não bater uns nos outros também.


Se um galho já está fazendo muita sombra, outro galho acaba crescendo em outra direção, onde consegue pegar mais luz. Eles sentem o vento e o peso, e se um galho está muito pesado ou o vento empurra sempre pra um lado, a árvore pode fortalecer algumas partes e mudar um pouco o jeito como ele cresce. Eles seguem um "mapa" que já veio na semente. Cada espécie de árvore tem um jeito diferente de crescer. Um pinheiro cresce diferente de uma mangueira porque as "instruções" são diferentes. 


A árvore é como um único corpo, tipo o nosso. As raízes são como o estômago, que pegam água e nutrientes do solo. O tronco é como uma estrada que leva água e comida para todos os galhos e folhas. As folhas são como pequenas cozinhas que usam a luz do Sol para fabricar açúcar, que serve de alimento para a árvore inteira. Então um galho não vive sozinho. Ele depende da árvore toda. Se as raízes não conseguem água, os galhos param de crescer. Se um galho faz muitas folhas e produz bastante açúcar, ele ajuda a alimentar o resto da árvore. 


Isso me levou a pensar em como nós, seres sociais, precisamos de outras pessoas, de forma geral. Precisamos do cuidado dos nossos pais, das interações com nossos amigos, do afeto. Assim como cada tipo de árvore tem “instruções” pra crescer de um jeito, cada família e ciclo social tem certas ideias sobre certos assuntos. Uma pessoa que se isola completamente de todos por toda a sua vida não vai conseguir se ajudar em tudo. Mas, mesmo sabendo que essas ligações são necessárias e que damos muita importância, elas não definem pra onde vamos. 


Não é porque todos os galhos vão pro lado esquerdo, que pra um que tá crescendo agora, o lado esquerdo seja a melhor opção. Talvez, pra esse novo galho, o lado direito tenha mais luz, mais espaço, é maior pra ele desenvolver. Então, mesmo que não faça sentido para os galhos do lado esquerdo, ele sabe que pra ele é o melhor a ser feito. 


O fato de sonhos, ideias, projetos, que nós temos, não fazerem sentido para as pessoas ao nosso redor, para as pessoas que compõem nossa raíz, caule e folhas, não é sinônimo de que não vão dar certo pra nós. Parecer impossível para os outros, já ter dado errado pra todo mundo que você conhece, não é motivo pra continuar parado o resto da vida ou se forçar a crescer pra um lado com menos luz, com menos espaço, com menos sentido pra você. 


É muito importante respeitarmos e amarmos as pessoas que se importam conosco, mas também é importante equilibrar as relações, para que nós possamos respeitar e amar nossas próprias ideias da mesma forma. Tem uma frase clichê que diz que não escolhemos de onde viemos, mas escolhemos para onde vamos. É clichê, mas é a verdade. Reconheça toda ajuda, amor e afeto, mas tenha seus próprios sonhos, construa algo novo, cresça onde você acha que deve, viva a sua própria vida. Porque você só tem essa. 


 
 
 

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